abril 10, 2006

O Colar de Helena

de Carole Fréchette
Encenação de Vítor Gonçalves

A Companhia de Teatro de Almada estreia no próximo dia 20 de Abril a sua produção de O Colar de Helena, de Carole Fréchette. Esta autora é considerada uma das vozes mais fortes e mais originais da dramaturgia do Quebeque actual, sendo uma das dramaturgas mais representadas do seu país.


O Colar de Helena

Algures no Médio Oriente, numa cidade escaldante e devastada por combates, Helena, uma turista ocidental, apercebe-se de que perdeu o seu pequeno colar de pérolas brancas, falsas. Num arrebatamento um tanto louco, lança-se na procura desse objecto sem valor ao qual tanto quer. Acompanhada por um taxista que a guia num labirinto de escombros, Helena descobrirá as entranhas dessa cidade devastada cujos habitantes opõem ao seu pequeno azar, o seu próprio sofrimento.
Ao espectador é oferecido, no vislumbre da outra face da moeda, um olhar incisivo sobre o contraste entre o conforto que tomamos por adquirido no Ocidente e a precariedade da vida quotidiana no Médio Oriente.

O espectáculo tem a duração de 1h15m sem intervalo.

Informe-se sobre as vantagens do Clube de Amigos do Teatro Municipal de Almada


Teatro Municipal de Almada

De 20 de Abril a 21 de Maio
de Quarta a Sábado às 21h30
Domingos às 16h00

Preço dos bilhetes para grupos 5 €uros

As reservas deverão ser efectuadas para a Companhia de Teatro de Almada
Telfs. 21 275 21 75 ; 21 274 48 56

O Colar de Helena
de Carole Fréchette

Encenação
Vítor Gonçalves

Tradução
Rodrigo Francisco

Com
Teresa Gafeira
Joana Fartaria
Júlio Martin
Miguel Martins

Cenografia e Figurinos
Maria João Silveira Ramos
Luz
José C. Nascimento

Publicado por vmar em 11:02 PM | Comentários (14608)

abril 06, 2006

As melhores condições de preço/qualidade…

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária.

A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em «oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços», incluindo no que respeita «a despesas de manutenção nas contas à ordem».
As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre «racionalização e eficiência da gestão de contas», o «estimado/a cliente» é confrontado com a informação de que, para «continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção», terá de ter em cada trimestre um «saldo médio superior a EUR 1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras» associadas à respectiva conta.

Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR 343,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio de EUR 3,57 (três euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social.

Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar «despesas de manutenção» de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria.

O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões (para citar Bagão Félix), a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma sordície vergonhosa, como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade.

Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola paga taxa.

Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso a quem se aplicam como uma luva as palavras sempre actuais dos «Vampiros» de Zeca Afonso: «Eles comem tudo/eles comem tudo/eles comem tudo e não deixam nada.»

(recebido por mail)

Publicado por vmar em 06:41 PM | Comentários (869)